Com os Dedos Calados

Tantas palavras dentro de mim
Contudo me mantenho com os dedos calados
É por que às vezes se anda por aí
E existem milhões de vozes gritando dentro da cabeça
Pedindo pra que se esqueça
- E não lembre mais!
- E não incite mais!
Nenhum verso que lhe aconteça
É que de tanto caminhar
Cuspindo versos por aí
Inundado vidas cinzas
Daquele puro carmesim
Lhe escorria pela boca tanta
E exagerada poesia
Que talvez lhe tenha esgotado
Aquele bocado de palavras coloridas
Mas se anda tanto por aí
Na tentativa de se encontrar dentro de si
Que se torna um ato, impraticável até mesmo impensável
Encontrar-se dentro dos próprios sapatos
E digo ao final
Que de mim nada esgotou
É que se caminha um bocado por ai
E se aprende que a vida ainda não terminou
Assim como todos os contos
E ainda se aprende outras coisas que vão além de nossas escolhas.
É aquela cara de velho sábio chinês: rabugento budista
Tão calado e fechado
Que há de se perguntar o que ele tem de sábio
Mas é de tanto ter andado por aí que se torna o sábio mais hábil
E antes que me esqueça
Termino dizendo a mim mesmo
Que mais que saber rimar
Hay que saber callar!
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